LARANJEIRAS um "Muséu a Céu Aberto"

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Laranjeiras: MUSEU A CÉU ABERTO I

 Pelo conceito popular de museu, Laranjeiras continua sendo um “museu a céu aberto”,isto é, lugar onde se preserva objetos e costumes antigos – patrimônio histórico herdado da época áurea do ciclo canavieiro: antigos casarões, inúmeras igrejas, legítimas representantes da arquitetura barroca, formoso e diversificado folclore, hoje de projeção nacional.
Pelos idos do séc. XIX até as primeiras décadas do século XX, Laranjeiras de povoado tornou-se Vila Independente, vindo décadas depois constituir-se o centro econômico político e cultural da Província SERGIPE DEL REI, quando, então cognominada de “Atenas Sergipana”. Nesse período Laranjeiras era administrada por Intendentes – agentes públicos investidos de poderes policiais e tributários, coincidentemente, à primeira vista, sem vínculo com a PALHA DA CANA, como sugere  seus sobrenomes[1]: de Jesus, de Faro, de Carvalho, da Motta, de Oliveira e outros.

Por volta de 1930, instituem-se no Brasil as prefeituras municipais, passando nossa cidade a ser administrada por gestores sempre ligados à PALHA DA CANA, como atesta seus sobrenomes
[2]: Franco (3 mandatos), Sobral (7 mandatos), Xavier Almeida (2 mandatos), Hagenbeck (3 mandatos). Desde então, a nossa “Atenas Sergipana” pára no tempo. Deixa de ser o berço econômico e cultural para tornar-se uma espécie de propriedade particular do prefeito canavieiro – seu engenho, sua usina ou sua fazenda – o funcionalismo municipal passa a ser tratado como trabalhador da lavoura canavieira, recebendo uma miséria; e, com a conversa de “dar trabalho”, os prefeitos mantêm a escravidão disfarçada, abrandada.
E se olharmos para o presente, será que alguma coisa mudou? Haja vista, a prática de dispensa coletiva de funcionários da prefeitura municipal a cada nova gestão, tal como, na lavoura canavieira a cada final de moagem – o funcionário municipal torna-se um tipo de trabalhador sazonal, de 4 em 4 anos uma turma é demitida e outra é admitida.
Laranjeiras continua governada pela PALHA DA CANA, crescendo inchada de favelas e invasões, sem plano diretor, sem projetos ou organização. Se voltarmos nosso olhar para outras cidades históricas brasileiras
como: Ouro Preto, Sabará, São João Del Rei (MG), Goiás Velho (GO), Parati (RJ) e outras tantas, Laranjeiras, com todo seu potencial histórico cultural é uma DESOLAÇAO.

Laranjeiras que um dia foi povoado da Freguesia de Nossa Senhora do Socorro, pela sua pujança - extraordinário desenvolvimento -, supera N. S. do Socorro e posteriormente a incorpora, ou seja, Nossa Senhora do Socorro passa a ser território da Vila das Laranjeiras. E hoje, Socorro é o 2º município do estado Sergipe, enquanto, Laranjeiras estagnada no tempo, se quer faz parte da área metropolitana de Aracaju, embora esteja a aproximadamente 20 km da capital.  
As universidades estão aí, UFS e UNIT, com toda a sua contribuição para o desenvolvimento do município e, também com suas respectivas demandas: de transporte, alimentação, moradia, lazer, segurança, consumo, saúde etc. O que a atual gestão está fazendo para prover tais demandas? O que se vê no centro da cidade, tirando as construções da UFS, do projeto MONUMENTA do Governo Federal, é o novo centro de comercialização de artesanato -A SENZALINHA-, construída ao lado do Centro de Tradições, próximo à Estação Rodoviária para receber quem chega.
Será que não existe, neste país, sugestão para um espaço de convivência e convergência da atividade artesanal, artística, cultural, de lazer, de alimentação e outros serviços de bem estar social, para bem receber os turistas e a própria população, que não somente a comercialização de artesanato? Onde estavam os arquitetos, os urbanistas, os artistas, os intelectuais para pensar o projeto? Onde o povo de Laranjeiras foi convidado a discutir, opinar e participar?
Os políticos administradores da PALHA DA CANA, ainda não se dão conta de que eles são funcionários do povo, e AO POVO DEVEM SATISFAÇÃO. Então, está mais do que demonstrado, que as formas políticas de administrar da Palha da Cana - AUTORITÁRIA, CLIENTELISTA, FISIOLOGISTA - não tem futuro, estão esgotadas.   
Por tanto, o presente está dizendo ao jovem de Laranjeiras que a ele cabe se comprometer e pensar um futuro alternativo para nossa cidade, que reviva o brilho um dia alcançado por ela, e que honre a memória de Laranjeirenses ilustres tal como: João Mulungu, Horacio Hora, João Ribeiro, Cônego Filadelfo, Xavieu Faro, Profª Zizinhas Guimarães, Dr. Levindo Cruz, Profª Edite Vinhas, D. Umbelina, Seu Julião, Seu Oscar, Seu Raminho, João Sapateiro, Antonio Gomes, D. Lalinha e tantos outros anônimos que deram suas vidas construindo ESTA CIDADE.
 Em tempo: o anonimato, tão condenado no texto I, seria apenas um aperitivo, uma forma de provocar o interesse da comunidade tão ligada em fofocas. Se fosse um texto autoral a primeira atitude da comunidade seria desqualificar o autor, chamá-lo de metido ou dizer que “quer se aparecer”, mesmo porque depois do “CSI” nada fica escondido tudo é evidencia..., além do mais, a intenção é que brilhe o texto e não o autor, o tema é o que deve interessar, posto que, o assunto é de todos aqueles que querem um futuro diferente para Laranjeiras.      
Fevereiro 2011
Laranjeiras-SE
Movimento Anti Palha da Cana


[1] SANTOS, Zilná dos (Coord.). Laranjeiras - Sua história, sua cultura, sua gente. Aracaju: Print Gráfica, Prefeitura Municipal de Laranjeiras e MEC, 2008.
[2] Ídem referencia anterior.

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