LARANJEIRAS um "Muséu a Céu Aberto"

quinta-feira, 31 de março de 2011

Laranjeiras: MUSEU A CÉU ABERTO II

Mais um patrimônio nacional a caminho da ruína frente aos olhos fechados da Palha da Cana?

“Depois de um dia longo de trabalho, desencantada com a  desvalorização do professor municipal   entro na  NET pra ver meus emails e  me deparo mais uma vez, para o meu bel prazer  com  um  valoroso texto  que muito  diz  o que por vezes não temos oportunidade  (será?) ou coragem de expressar? Será que construir a SENZALINHA ficou mais barato  do que consertar o telhado do Centro de Tradição?” (uma professora de Laranjeiras).
São pessoas como esta professora que sustentarão este movimento, ajudando a nós laranjeirenses a construir nossa visão crítica, e assim, pensarmos juntos um projeto alternativo para nossa cidade, que ponha Laranjeiras definitivamente no séc. XXI, ao mesmo tempo cuidando do nosso patrimônio para garantir a memória das futuras gerações.
Da fala da professora podemos refletir sobre dois temas: o primeiro a desvalorização do professor em nossa cidade, e o segundo sobre o Centro de Tradição. Deixemos o primeiro tema para outra ocasião, e nesta matéria sigamos com os tratos dados ao grande patrimônio cultural de nossa cidade.


O Centro de Tradição que, no séc XIX, serviu de estocagem e comercialização de açúcar e de escravos, está caminhando para ser mais uma peça arruinada de nosso “Museu a Céu Aberto”, a exemplo da nossa Estação de Trem, a Igreja Jesus Maria José e outros prédios antigos, já que o seu telhado precisa de reforma e a atual gestão nada faz para mudar esta situação.
A pensar que o Centro de Tradição, como diz seu nome, deveria ser um espaço cultural de preservação da memória e de formação da consciência histórico cultural das novas gerações. É neste espaço que, há anos, os estudantes se reúnem para apresentar seus trabalhos escolares: feiras de ciências, de conhecimentos, danças, músicas, - tudo o que a juventude produz culturalmente, e que as escolas promovem. Conquanto, hoje em dia, Laranjeiras não tem mais teatro ou outro ambiente apropriado para essas finalidades, embora no passado, antes da Palha da Cana, já teve.
É nas condições que o Centro de Tradição atualmente se acha que todas as gerações têm se encontrado para transmissão dos valores da cultura local. É ali naquele palco, se é que podemos chamar aquilo lá de palco, que no decorrer do ano grupos folclóricos, indígenas e outros se apresentam. E QUE PALCO! Se der um passo atrás o entusiasmado corre o risco de se acidentar.
O que se vê, é aquele grande edifício parado no tempo, se depreciando, quase nu, despido dos recursos tecnológicos que hoje se dispõe para equipar um centro com aquela finalidade: sistema de som, de acústica, de iluminação, camarins, enfim, tudo que seja necessário para o bem estar dos artistas, dos brincantes e do público em geral, próprio de um Centro Cultural.
E o espaço reservado ao público? Pior que no tempo de Shakespeare, onde todos ficavam em pé. Aqui no Centro de Tradição todo mundo empina o nariz, se apóia no ombro do outro para ver as apresentações. E o ouvir? Quais são as condições de audição? NENHUMA. Então, está mais do que demonstrado que não é somente o telhado que deve ser cuidado, todo espaço interno necessita ser repensado, reconstruído e modernizado para atender dignamente á finalidade a que ele se propõe.
E o que a municipalidade está esperando para providenciar à reforma do Centro de Tradição? O IPHAN? O PROJETO MONUMENTA? Aclaremos que estes estão em processo de transição com o novo PAC – Programa de Aceleração de Crescimento-, neste caso voltado para as cidades históricas, o qual substituirá o MONUMENTA que, por sua vez, foi um programa do Governo Federal para restauração de prédios tombados, cujo prazo se expirou.  
As obras ainda em andamento são obras atrasadas da gestão PALHA DA CANA DA VARZINHAS, quando correu o boato que tal administração não executaria o projeto, alegando que não teria acesso direto ao dinheiro, porque este seria administrado pelo Governo Estadual. Ou seja, além das propostas de melhoras virem de fora, ainda são rejeitadas!
E por que esperá-las que venham de fora? O Art. 7, inciso IX da Lei Orgânica Municipal diz que é de competência do município: “promover a proteção do patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico local, observando a legislação e a ação fiscalizadora Federal e Estadual.
E para que servem as secretarias responsáveis pelo cumprimento deste artigo? Com seus respectivos cargos de 1º, 2º e outros escalões, se eles não têm autonomia de gestão, visto que, os prefeitos centralizam tudo. Estes “Cargos de Confiança” são o sonho e o pesadelo de muitos, numa cidade carente de boas oportunidades de trabalho e conseqüentemente de bons salários, tais cargos também são o grande trunfo dos gestores da Palha da Cana para se revezarem no poder.
O mais triste é que há quem os aceite legitimando essas práticas e assumindo esses cargos figurativamente, para ornamentar uma cadeira, ostentar um título de secretario ou o que valha, posto que, efetivamente NÃO ATUAM, - se submetendo, assim, a ser chamado de incompetente, e ter como consolo desfilar de carros grandes, reformar casa, manter casa de veraneio em praia, viajar de avião, fazer cirurgia plástica, por filho em escola particular. Na realidade, estes só cumprem ordem de bastidores, de quem também não tem proposta, nem projeto para a cidade, cujo único interesse é REPRODUZIR O SISTEMA PARA CONSERVAR O PODER.
     As obras percebidas na cidade são sempre para atender determinações do governo Estadual ou Federal, não são projetos de gestão municipal, por exemplo: Conselho de Saúde, Conselho Tutelar, CRAS, e mais recentemente o Conselho Municipal de Política Cultural- exigência do Ministério da Cultura para participar do Sistema Nacional de Cultura-, são sempre determinações externas, cumprimento de leis. E, quando vemos uma realização de iniciativa do município nos deparamos com a SENZALINHA, ou essas “PIQUETAS”, - ferros, às vezes com correntes, que cercam as entradas do centro histórico -, lembrando o ambiente de FAZENDA E CURRAL, faltando apenas o MATA-BURRO para completar o cenário. Sem nenhuma iniciativa de “Educação Patrimonial”.  
Outra demonstração de que a PALHA DA CANA não está interessada em promover o desenvolvimento de Laranjeiras, de preservar o Patrimônio Histórico Cultural, por conseguinte, melhorar a qualidade de vida da população.
Como se não bastasse temos que suportar o discurso HIPÓCRITA, falso, FARISEU, da atual prefeita chamando-nos de: “meus filhos e minhas filhas” É IRÔNICO! Já que nem as madrastas dos clássicos infantis tratam seus enteados como esta Senhora trata o povo, deixando sempre alguém desamparado, haja vista, o que ela fez com D. Maria Joaquina (Paixão), isso, que a ajudou, imagina o que ela faz com aquele que não se submete.
A realidade de Laranjeiras mais que nos desafia, nós os laranjeirenses, a construir outra realidade, assim como bem nos escreveu uma museóloga: temos que defender o que é nosso, Laranjeiras é uma cidade belíssima e só permanecerá de pé com o esforço de todos nós...”
Laranjeiras/ SE – Março de 2011
Movimento Anti Palha da Cana - antipalhadacana@gmail.com

4 comentários:

  1. Só hoje tive a oportunidade de ler esse texto, que na verdade está muito bem escrito, realmente o que se vê de melhora em nossa cidade é que VEM DE FORA!!! Também o que esperar se os VEREADORES existem para favorecer o prefeito, os SECRETARIOS para enfeitar uma cadeira, todos submetidos por um cargo...é VERGONHOSO, mas é o que acontece, e o PIOR é que o povo está tão acostumado a isso que já ACHA NORMAL 
    Essa do MATA-BURRO..kkkkkkk... é de lenhar mesmo, é quase um CURRAL...kkkkkkkkkk. Eu mesma já tive de dar voltas ao redor da cidade para poder chegar em casa, confesso que já tive muita vontade de por o carro por cima daquelas correntes e arrebentar todo!!!kkkkkk...
    A senzalinha é de MATAR! Podendo ser um centro cultural, acoplado ao centro de tradições e de andares. Na parte de cima ficaria um RESTAURANDE, com uma estrutura adequada, espaços para a venda da acarajé, Beiju, o cachorro quente... tirando as barracas das praças. Sem contar que cada vez que alguém subisse para comprar algo de comida, passaria pelos artesanatos, tendo assim contato direto com nossos artistas e suas obras.
    Realmente essa iniciativa está um espetáculo, Laranjeiras CLAMA com urgência aos formadores de opinião, como por exemplo, os professores, QUE REAJAM E ATUEM para que assim possamos ver o tão desejado, por séculos, progresso desta cidade.

    Parabéns a esse MOVIMENTO!!!

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  2. parabens espero que este movimento continue pois temos outros assuntos importantes para ser discutido pela juventude da cidade que sao escondidos do povo como o mensalao dos vereadores, valor do lixo PG pela prefeitura ,a nao contrataçao dos concursados .declaraçao de calamidade publica COM dinheiro daS ENCHENTES USADOS NA MUSSUCA E MUITO MAIS ATENCIOSAMENTE RICARDO HAGENBECK

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  3. FIQUEI CONTENTE QUANDO TE VI, PENSANDO, ARRISCANDO OPINIÕES COMO APENAS OS JOVENZINHOS.

    PRESENTE!

    VENCEREMOS!

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  4. parabens pela iniciativa

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