LARANJEIRAS um "Muséu a Céu Aberto"

quarta-feira, 27 de abril de 2011

UM MUSEU A CÉU ABERTO III


Ao falarmos da nossa Laranjeiras como “MUSEU a CÉU ABERTO”, não podemos deixar de lado os tratos dados a nossa história. Não existe povo sem história. A história que estuda os fatos, que busca as fontes, que avalia causas e consequências organizando dentro de um contexto temporal, desvelando a maneira de ser de um povo, examinando suas raízes culturais, sociais e econômicas.

Quem melhor representa a história de Laranjeiras? Em nossa avaliação seus filhos ilustres e grupos folclóricos. E que tratos lhes são dados por nossos gestores municipais? Estamos tão acostumados a conviver com o desmazelo que nem nos damos conta de como nossos governantes tratam nossa história. Os filhos ilustres de Laranjeiras, como os “multi-intelectuais” João Ribeiro e Bittencourt Sampaio, os médicos Francisco Bragança (pai) e Antonio Militão de Bragança (filho), as professores Possidônia Bragança e Zizinha Guimarães, o pintor Horácio Hora, enfim, tanto nomes que as nossas autoridades não prestam as devidas homenagens aos seus legados.
Homenagem em Laranjeiras, lógico, somente para a Palha da Cana. Vai inaugurar alguma coisa? Nome da Palha da Cana nela. Já para os tantos filhos ilustres... Exposições sobre suas obras? Nunca foram montadas. Um livro, ou melhor, um livreto para as crianças estudarem sua história? Não temos. Um panfletinho para os visitantes? Nada. Um site, ou melhor, um blogzinho, daqueles que se cria em cinco minutos e que se enche de informações copiadas de outros sites? Só a Wikipédia salva quem quer conhecer Laranjeiras...

João Ribeiro é bastante conhecido, inclusive temos na cidade a CASA DE CULTURA JOÃO RIBEIRO, a qual tem a missão de preservar e difundir seu legado e além de promover atividades culturais para a comunidade local. Todavia, assim como os outros dois museus (de Arte Sacra e o Afro-brasileiro), este que poderia ser um belo espaço de promoção cultural está abandonado pela Secretaria de Estado da Cultura: são vários os problemas na fachada, infiltração interna, acervo sem manutenção, falta de instrutores com preparo para receber visitantes, seja turista, pesquisador ou estudante. A ladainha é de longa data e de vários governos: já estamos preparando um projeto de recuperação do espaço.

E cá na prefeitura da palha da cana! A CASA DO FOLCLORE é piada com a nossa cultura popular. Caçoada. Mangação mesmo. A nossa cidade é um dos maiores e pujantes centros de cultura popular do país, com inúmeros grupos em atividade e conhecidos e reconhecidos fora dos limites de Sergipe, pesquisados e re-pesquisados por estudiosos de várias universidades do país. Tudo isso é “devidamente homenageado” pela palha da cana num casebre de três cômodos com um amontoado de apetrechos doados pelos próprios grupos folclóricos.
Fonte: Infonet
Vergonhoso também é o desrespeito ao grande Horácio Hora. Numa primeira análise, até podemos pensar que este sim recebeu uma bela homenagem da palha da cana (do pinheiro): seus restos mortais foram enterrados ao lado da prefeitura, abaixo de monumento em sua memória, em um local de passagem e festas, com bancos sua volta. Não se iluda caro leitor. O que deveria ser